quinta-feira, 28 de julho de 2011

Escolhendo as urgências


Como é difícil perceber do que gosto. É incrível como posso passar o dia fazendo coisas que são importantes, corretas, necessárias e obrigatórias. De fato, em algumas delas eu até posso sentir um fiozinho de prazer. Mas que se perde no meio de tanta urgência.

Daí eu sinto que o mundo vai me engolir. E é por este mundo que vou me afastando mais e mais de mim mesma; daquilo que sou, que fui, daquilo que gostaria de ser, para ser o que exigem mim. E é uma exigência tão pesada, tão cansativa, mas que começa a princípio em mim.

E foi no meio desse turbilhão que eu percebi que não encontro mais tempo para sentir. É, isso mesmo: sentir... Dor, tristeza, saudade, alegria, raiva... Acho que isso está perdido em algum lugar de mim mesma, mas que vem sendo dia a dia abafado por coisas mais urgentes. Mais urgentes que eu.

O fato é que tenho visto que não sentir, é quase como não respirar... O grande problema, é que não se vive sem respirar.

Então, quando achei que não ia aguentar mais, percebi que a grande urgência estava em me dedicar a mim mesma. Sem culpa, queria buscar algo que eu fizesse só por prazer, como uma tentativa de recobrar e organizar esses valores tão esquecidos. A questão é que já estou tão arraigada no “o que é preciso” que o simples “o que eu quero” quase já não faz mais parte do meu vocabulário. Por mais incrível que pareça.

Lá fora tem um mundo que exige o tempo todo que apresentemos resultados, memorandos e respostas. Que sejamos os melhores, para alcançar um pódio imaginário e alimentar os ideais capitalistas. Mas para manter esse estado das coisas (que por sinal só faz bem a poucos) esse mundo não nos permite querer.

Talvez querer seja uma maneira de encher os nossos pulmões de ar e prosseguir caminhando para enfrentar as dificuldades cotidianas. Não sei ainda. Ainda não tentei. Justamente porque ainda acho muito difícil encontrar algo que posso fazer apenas... porque quero!.

Este blog é uma tentativa de olhar para mim mesma, e fazendo isso, quem sabe ver o mundo com o colorido que só os nossos quereres pessoais são capazes de dar.